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LOOP 

Esses moços, pobres moços
Que vivem entre a realidade
E o romantismo
Sonhando com uma vida de glórias 

Esses moços, pobres moços
Decifrando as fontes que regulam a vida
Construindo ilusões baratas
Nos arranjos de um piano

Esses moços, pobres moços
De olhares misteriosos
E espíritos mascaradamente insólitos

Esses moços, pobres moços
Seguindo caminhos já trilhados
E reacendendo esperanças já perdidas



Escrito por Paula às 13h41
[]



ABOUT /HIM 

Nome, idade e localização são detalhes irrelevantes no momento. Ele é quieto. Às vezes até demais. Parece sempre preferir ficar escondido num canto só seu. Se protegendo sabe-se lá de quê. Mas, nas poucas vezes em que o vi abandonar esse cantinho recluso, foi impossível não sorrir com que eu acabara de ouvir. Tenta ser engraçado, mas nem sempre os outros entendem a piada a tempo. Por vezes é preciso alguma explicação mais. Só que ele não é dado a explicações. De nenhum tipo. É um bom escritor, só precisa acreditar mais nisso. Porque uma hora as pessoas vão cansar de tentar convencê-lo. Tem um quê de perfeccionismo. Com absolutamente tudo o que se propõe a fazer. E não corresponder as suas próprias expectativas pode deixá-lo muito p*. Não é de muitos sorrisos, gargalhadas então, são uma raridade. Mas fica lindo quando resolve se mostrar alegre. Não tem muitos amigos, mas o que tem são verdadeiros. Sabe, como poucos, ser irritantemente desagradável. O que não o impede de ser insuportavelmente doce. Por mais que ele tente disfarçar, é carinhoso e gentil. E acho que é um romântico incurável. Mas bem lá no fundinho. Ele tem um jeito de olhar, bem no fundo dos olhos, que nem é preciso falar nada. Já decepcionou a muitas pessoas. Tenho certeza. Inclusive a mim. Sei que não foi de propósito. Mas isso não apaga o que aconteceu. No momento só consigo pensar numa palavra quando lembro dele: covarde. (Eu não queria que fosse assim, e sei que tentei deixar as coisas diferentes.)

ABOUT /THE FEELINGS

Triste, decepcionada, meio perdida. Se antes já era difícil acreditar no que dizia, agora é ainda mais. Chego a duvidar do valor que teve aquele tempo. Mas o pior de tudo isso é ainda ouvir a voz dele na minha cabeça antes de dormir. Com todos os defeitos, com todos os erros, acho que um sorriso dele seria capaz de mudar tudo. Porque eu ainda gosto dele. Muito.



Escrito por Paula às 10h25
[]



Um dia eu escrevi assim...

"... Porque é bom gostar de quem se admira. Que, apesar de se conhecer os defitos é tão mais fácil ver as qualidades. Que não se quer mudar em nada, pois é especial do seu jeito."

Não mostrei pra ninguém. Acho que agora é tarde.



Escrito por Paula às 12h54
[]



Era uma viajem escura e silenciosa. E por ser assim tão sossegada era também tão perturbadora. O destino era certo. Mas mesmo sendo certo, por vezes duvidei que fosse alcançá-lo. Durante muito tempo tentei desviar o pensamento daquele caminho agora tão deserto. O mais longe que pude chegar foi num ponto, dentro de mim, tão sombrio quanto o clima que me cercava. Reencontrei uma outra existência. Dias de calor e paixão vestidos de cinza e cobertos de gelo. Sonhos floridos pulverizados de desilusão. Noites onde abracei a lua tomadas pela névoa. Vi amores vividos com tanto encanto jogados no chão, avizinhados da derrota e do desespero. Passei por ideais rotos e por valores desfigurados. Cruzei ainda por algumas opiniões feitas poeira. Mas eu só tive medo quando vi que isso tudo, todo esse desterro, essa imensidão de nada, não eram restos de um tempo guardados num baú. Eu tive medo quando vi que todo aquele torpor era o que tinha restado em mim depois que os dias de conforte e desejo saíram do meu rumo. E me vi outra vez entregue aos planos do fantasma da espera. Seja pelo que for. No fim, desci.


Escrito por Paula às 10h05
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Morte

Que venha doce e suave
Olhando em meus olhos
e acariciando meu rosto
sorrindo de longe

Que traga consigo o conforto
E o sossego já tão esquecidos
entre os abraços e os beijos
que julguei terem sentido

Não anuncia tu vinda
apenas me surpreenda
numa noite clara de estrelas

Vem ao meu encontro logo
que já não tenho medo
pois todos se foram há tempo



Escrito por Paula às 12h12
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Lá embaixo todos estão comemorando.
Mas estou muito acima disso.
Uma fresta de sol passa por mim.
Mas não me aquece. Só me sufoca ainda mais.

Preciso voltar às noites destiladas de blues.
Quando agora era passado e nada importava.
Só a temperatura do copo. Dos corpos.
Eram madrugadas de uma existência romântica.

Voltar a sonhar sozinha com as rotas da viagem.
Encontrar o melhor de mim num canto escuro.
Viver a boemia sórdida de um quarto fechado.

Ir ao fim do mundo e voltar em cores diversas.
Olhar minha imagem num lago e ver um ser estranho.
Tomado de ódio e ressentimento. Mas vivo.



Escrito por Paula às 15h55
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